

Icones das principais redes sociais. Imagem Gerada por IA
Nas últimas décadas, empresas como Meta, Google, TikTok e X deixaram de ser apenas ferramentas de comunicação. Hoje, elas funcionam como a principal praça pública do debate político, é nas redes sociais que candidatos apresentam propostas, apoiadores mobilizam campanhas e milhões de eleitores buscam informações sobre a disputa eleitoral. Ao mesmo tempo em que democratizaram a produção de conteúdo, essas plataformas também passaram a concentrar um enorme poder sobre aquilo que circula ou deixa de circular.
As eleições norte-americanas de 2024 escancararam esse desafio. Diante da popularização da inteligência artificial generativa, empresas de tecnologia anunciaram medidas para tentar diminuir os impactos da desinformação durante a campanha. A Meta passou a exigir que anúncios políticos informassem quando utilizavam conteúdos gerados por IA, o Google criou regras semelhantes para publicidade eleitoral, enquanto empresas responsáveis por modelos de inteligência artificial divulgaram restrições para impedir que suas ferramentas fossem utilizadas na manipulação de eleitores.
Na prática o problema se mostrou muito maior, grande parte dos conteúdos políticos que viralizam não é publicada pelos perfis oficiais de candidatos ou partidos, mas por páginas independentes, influenciadores e usuários comuns. Quando um vídeo ou uma imagem falsa é identificada e removida, muitas vezes ela já foi baixada, editada e republicada em diferentes perfis, superando a velocidade de respostas da própria plataforma.
O papel das plataformas

Imagem gerada por IA de luta entre Alexandre de Moraes e Elon Musk
Se a disputa pela narrativa sempre existiu, quem tenta questioná-la também acaba entrando nesse conflito. Catharina Doria conta que já teve dois perfis derrubados enquanto produzia conteúdos críticos sobre IA. Para ela, discutir os impactos dessas ferramentas significa, muitas vezes, enfrentar interesses que vão além da própria tecnologia.
"É impossível construir um trabalho sendo contra a cultura dominante e esperar que as instituições que você critica te abracem. Quando você fala dessas empresas ou aponta problemas, acaba pisando no calo de alguém", diz.
O relato ajuda a entender que o debate sobre inteligência artificial não se resume somente a quem produz desinformação. À medida que essas ferramentas passam a ocupar um espaço cada vez maior na política, cresce também a discussão sobre a responsabilidade das empresas que controlam os ambientes onde essas informações circulam.
O papel das plataformas
Essa discussão veio à tona no Brasil já em 2024, durante o embate entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e Elon Musk, proprietário do X. O conflito, que resultou na suspensão por 39 dias da plataforma no país, trouxe para o centro do debate uma pergunta que deve acompanhar também as eleições de 2026: até que ponto as empresas de tecnologia são responsáveis pelo conteúdo que circula em suas redes? E como controlar usuários que muitas vezes nem sabemos quem são?
A resposta está longe de ser consenso. De um lado, plataformas defendem que não podem ser responsabilizadas por tudo o que milhões de usuários publicam diariamente, do outro, autoridades e especialistas argumentam que essas empresas não são apenas intermediárias, já que seus algoritmos escolhem quais conteúdos terão maior alcance e engajamento.
É justamente nesse ponto que o debate deixa de ser apenas tecnológico e passa a ocupar também o campo jurídico. As discussões sobre a responsabilidade das plataformas já acontecem no Brasil há alguns anos e ganharam ainda mais força após os conflitos envolvendo o STF e as grandes empresas de tecnologia, o avanço da inteligência artificial apenas acrescenta uma nova camada a um problema que já existia: como garantir a liberdade de expressão sem permitir que as próprias ferramentas digitais sejam utilizadas para comprometer a integridade das eleições? Essa é uma discussão frequente no Congresso Nacional, e já polarizada entre Esquerda e Direita, e vai ocupar espaço muito grande conforme as eleições vão se aproximando.
Add a Title
Add a Title
Quem veio primeiro, o homem ou a mentira?
Add a Title
A

Heading 3
mentira é tão velha quanto a existência humana. Um dos maiores e um dos primeiros exemplos do uso da mentira como propaganda política aconteceu antes mesmo do nascimento de Cristo, durante a República Romana. Marco Antônio (v. 83-30 a.C.) , Otaviano (v. 63 a.C.-14 d.C.) e Lépido (v. 89/88-13/12 a.C.) dividiam o poder do extenso território romano no Segundo Triunvirato.
Como conta o portal Aventuras na História, Otaviano, o mais novo dos três, era filho adotado oficialmente no testamento de Júlio César (o Ditador Perpétuo de Roma recém-assassinado) e tinha a ambição de continuar o legado de seu pai. Assim, facilmente destronou Lépido, que não tinha muitas ambições políticas, e queria fazer o mesmo com Marco Antônio, porém, este era um general com currículo invejável, popular e reverenciado por suas vitórias no Oriente, não seria fácil tirá-lo do cargo.
Assim, Otaviano se aproveitou da propaganda política. Primeiro, para justificar uma guerra contra Marco Antônio ele deveria convencer o Senado, para que dessem o apoio militar, e o povo, para que conferissem a legitimidade da guerra. Por isso, ele conseguiu pegar o testamento de Marco Antônio (de maneira ilegítima) e o tornou público, porém, de acordo com alguns historiadores, Otaviano apropriou-se de um discurso com um quê de exageros e mentiras.
No testamento, Marco Antônio supostamente doava terras para os filhos que teve com sua amante, a Cleópatra - é importante lembrar que Marco Antônio casou-se com a irmã de Otaviano, a Otaviana, mas vivia longe de sua esposa, e constantemente ao lado da amante, no Oriente. Porém, o epicentro do discurso de Otaviano era o fato de Marco Antônio ter pedido para ser enterrado em terras egípcias, em Alexandria.

Quando se vê que este homem [Antônio] abandonou as tradições de seus ancestrais, emulou todos os costumes bárbaros e estrangeiros, que ele não mais respeita a nós, nossas leis ou os deuses de seus pais, mas homenageia aquela prostituta [Cleópatra] como se fosse alguma Ísis ou Selene […] mas sendo um escravo daquela mulher, ele defende a guerra e seus riscos contra nós e contra seu país […] Portanto, que ninguém o considere mais um romano, mas sim um egípcio (Trechos do discurso de Otaviano contra Antônio na obra de Cássio Dio, História Romana, 50. 25-26)

Cena de Marco Antônio e Cleópatra no filme Cleópatra (1963) | Retirado em Aventuras da História

Estes argumentos ressuscitaram os rumores que Marco Antônio queria transferir a capital romana para o território africano, na grandiosa cidade de Alexandria. Assim, ele deixou de ser visto como romano, e para o povo e Otaviano, não se tratava de uma guerra civil, como tinha sido no último Triunvirato, mas sim uma guerra contra estrangeiros.
O resultado de tudo isso? O casal de amantes suicidou após perderem a batalha marítima do Ácio, e Otaviano tornou-se o primeiro imperador romano.
Moeda cunhada no Oriente com os perfis de Antônio e Cleópatra - a prova visual que Otaviano usou para acusá-los. Fonte: classicalchopped2.artinterp.org / Chicago Coin of
Antony and Cleopatra
Um exemplo de mais de dois mil anos atrás pode parecer antigo e sem nexo à primeira vista. Porém, vemos que, com o decorrer do tempo, os meios em que as mentiram propagam se alteram, mas os fins se mantêm iguais, ou seja, no contexto de nossa reportagem, as mentiras não são mais disseminadas como antigamente, por conta da evolução tecnológica, mas o motivo é sempre o mesmo, a obtenção de poder político.
Neste vídeo, Leandro Karnal contextualiza e traz outros exemplos da desinformação na história, vale checar caso queira se inteirar por completo do assunto.


O CAVALO DE TRÓIA DIGITAL
Por: João Teodoro
Marcelo Mota
Marcos Zaccarelli
Add a Title
O IMPACTO DAS IAS NA PROPAGANDA POLÍTICA
Dois mil anos depois, a dinâmica mudou. Hoje, os seres humanos são intrínsecos às tecnologias. Para muitas pessoas é impossível ficar um dia sem o celular, quiçá uma semana. Nossas atividades demandam do celular: Quer andar no transporte público? Tem que entrar na conta do banco pelo celular para pagar a tarifa; Uma urgência de trabalho? Com certeza precisará do celular para se comunicar.
As tecnologias trouxeram benefícios que com certeza não poderiam ser pensados antigamente, graças a ela conseguimos, por exemplo, pedir uma refeição sem nem precisarmos sair de casa. Contudo, ela traz também uma coleira, que nos deixa à mercê daqueles que detém o monopólio das empresas que estão por trás de todas estas tecnologias, principalmente do ramo da comunicação.
Em 2018, na imprensa estadunidense, foi noticiado em diversos veículos renomados, como The Guardian e The Observer, matérias que denunciavam a empresa britânica Cambridge Analytica, responsável por fazer trabalhos de consultoria política. As denúncias eram sobre a coleta ilegal de dados de mais de 87 milhões de usuários do Facebook, por meio de um aplicativo chamado "This is your digital life" que remunerava (de dois a cinco dólares) quem respondia um pequeno questionário psicológico. De acordo com as investigações do The Guardian, cerca de 300 mil usuários responderam, porém devido a brechas no ecossistema de dados do Facebook, a empresa coletou, de maneira não consensual, informações de amigos daqueles que responderam, mesmo daqueles que sequer sabiam da existência do aplicativo.

O atentado a democracia



Add a Title
Add a Title
Add a Title
Heading 3
A empresa tinha ouro em suas mãos. Com essa quantidade massiva de microdados, foram utilizadas inteligências artificiais para mapear o perfil psicográfico dos eleitores baseado no modelo "OCEAN". Contratada pela campanha de Donald Trump para alimentar a sua central digital de operações, o chamado Projeto Alamo, a empresa direcionou anúncios altamente personalizados e dinâmicos para cada perfil mapeado. Muitas dessas publicações consistiam em dark posts — anúncios invisíveis ao público geral e direcionados apenas ao alvo selecionado — que se apropriavam de ataques agressivos e desinformação sobre a opositora Hillary Clinton. Ao explorar cirurgicamente medos, paranoias e desilusões políticas de fatias específicas do eleitorado, a eficiência de persuasão e manipulação psicológica aumentou drasticamente, resultando não apenas na captação de votos para Trump, mas também em uma tática crucial de supressão de votos direcionada a minorias e jovens para desmobilizar o eleitorado democrata em estados-pêndulo decisivos.
Informações retiradas do The Guardian

Confira o vídeo realizado pela reportagem para saber mais detalhes sobre Cambridge Analytica, Donald Trump e Projeto Alamo
Deep Fakes e Clonagem de voz - "Não acredito nem vend "



Imagem gerada pelo ChatGPT
Desde o escândalo da Cambridge Analytica, passaram-se mais de dez anos, e o tabuleiro geopolítico mudou drasticamente. No escopo desta reportagem, a transformação mais profunda reside na evolução da inteligência artificial. O grande marco dessa virada foi o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022, pela empresa norte-americana OpenAI.
A ferramenta popularizou o conceito de Inteligência Artificial Generativa. Trata-se de sistemas multimodais onde basta um comando de texto (o chamado prompt) para que a tecnologia obedeça e crie textos, códigos, imagens e até mesmo vídeos realistas do absoluto zero. Desde então, uma corrida bilionária se instalou no Vale do Silício, com gigantes lançando seus próprios modelos, como o Google (Gemini), a Microsoft (Copilot) e a Anthropic (Claude).
Como maneira de ilustrar o poder de criação destas ferramentas e de forma gratuita (basta o login nos servidores da OpenAi), a reportagem pediu para que o ChatGPT criasse uma imagem de um debate entre os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro com um prompt detalhado e esse foi o resultado que a ferramenta trouxe.
Print de prompt usado no ChatGPT
O céu é o limite para a criação de conteúdos com a IA, basta um prompt detalhado e uma criatividade bem treinada para que o usuário consiga o resultado desejado. Contudo, abre uma porta para a produção de conteúdos falsos como a imagem produzida por nós com fins ilustrativos.
Antes da IA, para criar/modificar um registro visual demandava alto conhecimento técnico em ferramentas de edição de vídeo ou ilustração e por isso carregavam um efeito de comprovante do fato - daí vem aquele ditado "Só acredito vendo". Mas, como mostramos com a ilustração do embate entre Lula e Flávio, essa barreira não existe mais, porém o efeito de verdade da imagem é muito forte. Ou seja, as imagens/vídeos funcionavam como um comprovante do fato, e o uso da Inteligência artificial para criação de conteúdo se aproveita deste fator para enganar quem observa.
As eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 2024, entre Kamala Harris e Donald Trump, simbolizaram um marco histórico. Pela primeira vez, uma das maiores democracias do mundo iria às urnas depois da popularização da inteligência artificial generativa. O que gerou muito receio em pesquisadores e analistas políticos, que tinham muito medo da possível avalanche de conteúdos sintéticos que seriam utilizados durante a campanha.
A preocupação fazia sentido. O próprio histórico recente da política norte-americana mostrava que a tecnologia já vinha transformando as campanhas eleitorais. Em 2016, o escândalo da Cambridge Analytica revelou como coleta de dados pessoais e publicidade direcionada poderiam influenciar o comportamento do eleitor. Oito anos depois, a dúvida deixou de ser sobre dados e passou a ser sobre inteligência artificial.
Um estudo conduzido por pesquisadores do Dartmouth College mostrou que o impacto da tecnologia aconteceu de maneira diferente da imaginada. Após analisar mais de 239 mil imagens publicadas no Instagram durante o período eleitoral, os pesquisadores concluíram que conteúdos produzidos exclusivamente por inteligência artificial não foram, necessariamente, os mais populares entre os usuários.
O maior engajamento ocorreu quando a IA foi utilizada para fortalecer formatos que já dominavam as redes sociais, especialmente em forma de "memes". Os autores chamaram esse fenômeno de generative memesis: a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta para criar imagens e passou a adaptar mensagens políticas à linguagem que já circulava naturalmente entre os usuários.
O laboratório americano e o alerta para o Brasil

A pesquisa também identificou diferenças na forma como os grupos políticos utilizaram a inteligência artificial. Perfis ligados ao Partido Democrata recorreram com maior frequência à tecnologia para reforçar mensagens favoráveis aos próprios candidatos. Já entre contas associadas ao Partido Republicano, o uso apareceu principalmente em conteúdos voltados ao ataque de adversários políticos.
Mais do que revelar uma eleição dominada por deepfakes, a experiência norte-americana mostrou que a inteligência artificial tende a ser incorporada às estratégias digitais que já fazem parte das campanhas políticas. O debate, portanto, deixou de ser sobre a possibilidade de utilização da tecnologia e passou a concentrar-se em outro ponto: como democracias que convivem com forte polarização política irão lidar com esse novo cenário da modernidade.
Candidatos Donald Trump e Kamala Harris, que concorreram à eleição presidencial dos Estados Unidos em 2024. Fonte: Focus Brasil
Abaixo, mostraremos imagens criadas artificialmente por apoiadores de Donald Trump com a intenção de atrair eleitores negros, público que a minoria era adepta ao candidato.

Imagem gerada por IA de Donald Trump com pessoas negras. Reprodução: X. Fonte: Carta Capital

Imagem gerada por IA de Donald Trump com pessoas negras. Reprodução: X. Fonte: O Globo





As eleições norte-americanas serviram como um laboratório para o Brasil observar o uso da inteligência artificial em campanhas políticas, num cenário bem parecido com o que vivemos. Apesar das diferenças entre os sistemas eleitorais, os dois países compartilham características importantes: uma forte polarização política, campanhas cada vez mais concentradas nas redes sociais e disputas decididas por margens apertadas de votos.
As eleições presidenciais de 2022 evidenciam esse cenário. Luiz Inácio Lula da Silva venceu Jair Bolsonaro por uma diferença inferior a dois pontos percentuais, cerca de dois milhões de votos. Em uma disputa tão equilibrada, uma campanha de desinformação não precisa convencer a maioria da população para produzir efeitos. Basta atingir grupos específicos de eleitores, reforçar convicções já existentes ou influenciar aqueles que ainda não decidiram seu voto.
Essa lógica se torna ainda mais sensível em um país como o Brasil, onde campanhas eleitorais vêm sendo marcadas por forte mobilização nas redes sociais. As redes sociais passaram a ocupar o posto de principal espaço na circulação de informações políticas. Na maioria dos casos, o primeiro contato do eleitor com determinado assunto não acontece por meio da TV e do Jornalismo tradicional, mas sim através de amigos, com as famosas “correntes” do WhatsApp ou em publicações feitas no X, Instagram ou redes parecidas.
A Influenciadora já soma mais de 600 mil seguidores nas redes sociais. Fonte: Instagram

A Próxima Batalha das Urnas

Comparativo de divulgação de desinformação nas redes sociais no 1° e 2° turno das eleições de 2022. Fonte: G1


Diferença de votos entre os candidatos Lula e Jair Bolsonaro na eleição de 2022. Fonte: G1

Perguntamos à influenciadora e especialista em inteligência artificial Catharina Dória sobre suas maiores preocupações em relação a IA para as eleições de 2026 que está por vir. Para ela, a geração de vídeos sintéticose sua facilidade de ser produzida ocupa o todo da lista. "A inteligência artificial generativa de vídeo está muito realista. É muito fácil criar vídeos com fake news, criar manifestações que nunca ocorreram e colocar pessoas onde elas nunca estiveram", afirma.
Se os vídeos chamam atenção pelo realismo, a produção da desinformação em texto também passou por uma transformação. Antes, campanhas de notícias falsas dependiam de pessoas qualificadas escrevendo e adaptando o conteúdo para diferentes frentes, hoje, esse trabalho é automatizado em poucos segundos, “Você não precisa mais contratar alguém para escrever uma fake news. Basta pedir para o ChatGPT que ele cria milhares de uma vez”, explica Catharina.
Produzir o conteúdo representa apenas parte do processo, para que uma mentira influencie o debate público, ela precisa circular, e como já ocorreu na última eleição, as redes de perfis automatizados exercem esse papel. “Outra preocupação é a questão dos bots, atualmente isso está muito mais institucionalizado. Você pode contratar empresas para impulsionar e disseminar essas fakes news”
A preocupação, portanto, vai além da mera existência da inteligência artificial. O que muda é a velocidade com que essas ferramentas podem ser incorporadas a um ambiente político que já está cheio de problemas. Em um país onde a disputa presidencial costuma ser marcada por diferenças apertadas, a capacidade de produzir e espalhar conteúdos sintéticos em larga escala adiciona uma nova camada de complexidade ao processo eleitoral.
Otaviano precisou de discursos, moedas e do apoio do Senado para convencer Roma de que Marco Antônio representava uma ameaça. Mais de dois mil anos depois, bastam apenas alguns comandos em uma plataforma de inteligência artificial para criar acontecimentos que nunca existiram e modificar todo o sistema. A tecnologia mudou, mas a lógica permanece a mesma: em disputas pelo poder, controlar a narrativa continua sendo uma das armas mais valiosas.
Mentiras controladas

Controlar a criação e a propagação de conteúdos falsos é muito difícil, porém existem mecanismos que podem ser implementados para que esses conteúdos sejam identificados e assim excluídos das redes. Um desses mecanismos é a criação de rótulos de identificação, esses rótulos indicam que o vídeo ou a imagem foi gerado por inteligência artificial, dessa forma as pessoas vão ter a noção de que esse conteúdo não é real.
Em maio deste ano, o Instagram fez alguns testes de uma etiqueta de "Criador de conteúdo de IA". O recurso funciona como um selo exibido no perfil do usuário e em conteúdos exibidos no feed, reels e na aba explorar. Esse selo é muito importante para identificar quando uma conta compartilha muitos conteúdos gerados por IA, porém o selo é ativado de forma voluntária, ou seja, apenas o criador de conteúdo pode ativar o rótulo para si mesmo.

Lu do Magalu é a maior influenciadora virtual do mundo com mais de 8 milhões de seguidores, é um dos perfis que se encaixam nesse selo. Fonte: print da página magazine luiza no instagram
Imagem gerada por IA
Pelo fato de o sistema ser voluntário, o impacto dele no combate à desinformação é quase nulo. Para que essa ferramenta tenha um impacto mais significativo, é necessário que as próprias plataformas identifiquem e classifiquem os perfis que compartilham fotos e vídeos gerados por IA. A Meta soltou um comunicado onde ela admite que seus sistemas automatizados, não conseguem identificar todo conteúdo sintético, ou seja, a própria desenvolvedora está se isentando da responsabilidade de conteúdos compartilhados na sua plataforma.
O Instagram é a maior rede social do mundo, contando com mais de 2 bilhões de usuários ativos. Qualquer publicação que tenha um grande alcance pode gerar uma grave mudança de comportamento, dessa forma, influenciando diretamente na opinião pública. Assim, podemos dizer que o selo opcional não é o suficiente para isentar a plataforma da culpa, ela é uma maneira de dividir a responsabilidade com os criadores de conteúdo.
Precisamos entender que a principal dificuldade na legislação é identificar quem criou o conteúdo sintético. Em uma conversa com o soluções a Advogada Jhéssica Hemiliana aborda sobre esses problemas: “Quando é possível identificar o autor, quem criou, de onde veio, quem é o candidato que fez, qual foi a frente e qual foi a empresa, então será possível responsabilizar, o que é difícil falando de inteligência artificial, quando esse produto é produzido fora do Brasil ou por robôs fica difícil a identificação e responsabilização desta distribuição da informação falsa.”
Mais adiante na nossa conversa, ela também fala sobre o papel das plataformas onde esses conteúdos são publicados. “O que vem ajudando é que as plataformas que recebem esses conteúdos têm sido responsabilizadas voluntariamente. Então quando você posta algo, a plataforma também têm uma responsabilidade sobre aquilo que é postado dentro dela, isso facilita a remoção desses conteúdos, a grande dificuldade é que a responsabilidade acompanhe a velocidade em que as tecnologias evoluem.”
Para tentar solucionar esses problemas, no dia 12 de março de 2026, foi aprovado o projeto de lei 2.688/2025, que vigora o marco regulatório do uso de inteligência artificial no Brasil. Esse PL estabelece direitos, deveres, princípios, mecanismos de governança, normas de transparência civil e penal para o uso e desenvolvimento da IA no país.
O texto impõe uma série de normas às plataformas de IA, algumas delas incluem a identificação e o rastreamento de conteúdos artificiais, revisão humana de decisões automáticas, transparência, auditabilidade e proteção de dados pessoais.
“A espinha dorsal do projeto é a classificação dos sistemas de IA conforme o risco que representam para direitos fundamentais. Sistemas de risco inaceitável — como aqueles que manipulam comportamentos de forma subliminar ou que implementam pontuação social de cidadãos — são expressamente proibidos. Sistemas de alto risco, que operam em setores como saúde, educação, justiça criminal, emprego e infraestrutura crítica, estão sujeitos a obrigações reforçadas de documentação técnica, supervisão humana, avaliação de impacto e auditabilidade. Demais sistemas respondem a uma regulação mais leve, centrada na transparência perante o usuário.” explica a Barbieri Advogados em um artigo publicado no dia 23 de março de 2026.
A criação desse projeto de lei é o primeiro passo para que a utilização das IA’s seja regulamentada. Porém ela não é a solução definitiva, ainda dentro desse projeto existem brechas. O PL 2338/2023 não foi desenhado como uma ferramenta de combate direto à desinformação ou criação de imagens e vídeos falsos de forma abrangente, em vez disso, o foco do projeto é regular o desenvolvimento e uso ético da tecnologia.
É fundamental entender que a proibição de deepfakes nas eleições brasileiras não depende hoje apenas do PL 2338. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tomou a frente com a Resolução nº 23.755/2026, que é muito mais específica e restritiva. O TSE determinou a proibição absoluta de deepfakes que possam manipular o eleitor, independentemente de rotulagem. O tribunal também pode exigir que quem postou o vídeo prove sua veracidade, uma medida que "fecha" a brecha do anonimato ou da dúvida técnica que os criadores de fakes costumavam usar como defesa e as plataformas digitais possuem hoje o dever de remover conteúdos manipulados prontamente sob pena de sanções severas.
Junto a isso o TSE consolidou um arcabouço normativo para tentar conter esses danos, estabelecendo uma Rotulagem Obrigatória, ou seja, qualquer conteúdo político gerado ou significativamente alterado por IA deve exibir um aviso claro. Outro mecanismo dessa resolução é o apagão nas 72 horas antes e 24 horas depois da votação, onde será proibida a introdução de novos conteúdos de IA sobre candidatos para evitar manipulações de última hora que não teriam tempo de resposta institucional.
Voltando a nossa conversa com a Jhéssica, ela comenta de como essa proibição pode impactar nas eleições. “As horas antecedentes às eleições são cruciais. Muitas pessoas não se preparam para votar, por isso os candidatos tentam fazer de tudo até o último minuto para virar o jogo. Por isso essa proibição é positiva, para que o eleitor não seja bombardeado com informações falsas que possam mudar a opinião dele.”
Além disso, ela também comenta sobre a rotulagem de conteúdos feitos por IA. “A rotulação do que é trabalhado pelos candidatos como inteligência artificial é necessário ser implementado com até a possibilidade de sanção em caso de não rotular o conteúdo, por que a gente sabe que dentro das redes sociais tudo é muito rápido, então se não houver algo que resguarde o eleitor minimamente, a gente sabe que o estrago vai ser enorme ”
É interessante observar como o Direito Eleitoral está se adaptando para lidar com a "velocidade do algoritmo", que é muito mais rápida que o tempo dos processos judiciais tradicionais. A pergunta que fica é: até que ponto a regulação conseguirá equilibrar a liberdade de expressão com a necessidade de proteger o processo eleitoral da manipulação algorítmica?
Confira nossa conversa com Jhéssica na íntegra no vídeo abaixo:

A inteligência artificial vem evoluindo muito rápido, se compararmos um vídeo gerado por IA de hoje com um de 2022, ano da última eleição, é possível perceber o abismo de qualidade entre os dois, está cada vez mais difícil de identificar essas produções. Um vídeo viralizou recentemente, onde o jogador noruêgues Haaland se assusta com seu reflexo em um espelho. O vídeo foi muito compartilhado por muitas pessoas acreditando que o vídeo era real, porém ele foi feito com deepfake.
Entrevistamos a jornalista Giovana Frioli, repórter do Estadão verifica, onde ela comenta sobre a evolução das plataformas de IA e da dificuldade em identificar imagens geradas por esse tipo de plataforma: "cada vez que IA fica mais difícil de ser identificada pelas pessoas, mais conteúdos gerados por IA aparecem, começou principalmente com fotos, por ser mais barato de as pessoas fazerem com as ferramentas de IA, agora a gente vê bastante vídeos, alguns mais fáceis de serem identificados e outros mais difíceis".
A repórter comenta sobre os avanços das ferramentas de IA’s na criação de vídeos e como os conteúdos vêm ficando cada vez mais realistas. "Antes a gente conseguia perceber muitas inconsistências nesses conteúdos de inteligência artificial, por exemplo as mãos que estão distorcidas, o rosto e a boca que não estão sincronizadas com o áudio, mas cada vez mais está ficando mais difícil de identificar esses conteúdos de IA".
Além disso, Giovana deu algumas dicas de como podemos identificar vídeos gerados por IA de forma simples "No verifica a gente já produziu alguns guias, mas cada vez está ficando mais difícil. No dia a dia, não tem nenhuma técnica específica onde você pode cravar que o conteúdo é feito por IA, mas a gente segue algumas evidências, por exemplo, em uma foto pode ser que tenha alguma inconsistência em algum objeto no fundo da imagem, algumas IA’s têm dificuldades em gerar palavras que estão muito distantes, pequenas falhas nos cenários de fundo".
Além disso, ela explica como os profissionais de checagem conseguem verificar se um vídeo é real ou não, com ferramentas mais sofisticadas. “A gente também utiliza algumas ferramentas que são disponibilizadas pelas próprias plataformas de inteligência artificial, por exemplo o SynthID do GOOGLE, se colocar alguma imagem no Gemini, você pode perguntar, utilizando essa ferramenta, se essa imagem foi gerada com as ferramentas do GOOGLE. A OpenAI também têm uma ferramenta assim, que identifica se a imagem foi gerada com sua ferramenta de IA, também têm alguns sites que fazem análise de conteúdo com deepfake, um deles se chame InVID, é uma ferramenta que os checadores usam bastante, por ter uma confiabilidade maior, e também utilizamos o HIVE moderation, que também faz essa análise, porém nada vai ser conclusivo, a gente usa um conjunto de análises para conseguir identificar se aquele conteúdo é produzido por IA ou não, claro com o auxílio das fontes."
Quem verifica a verdade?

Uma agência de fact-checking (ou agência de checagem de fatos) é uma organização jornalística que se dedica a investigar, confrontar e verificar a veracidade de informações, dados, discursos políticos e conteúdos que circulam no debate público. O estadão verifica, onde a Giovana trabalha, é uma das principais agências do país. O propósito central dessas agências é de qualificar o debate público, ao confrontar declarações de figuras públicas ou boatos virais com dados oficiais, pesquisas e registros históricos. A agência fornece elementos para que o cidadão forme a própria opinião com base em dados e fatos comprovados.
Algumas dessas agências são, o próprio Estadão verifica, mas também temos outras como a Agência Lupa, que é membro do International Fact-Checking (IFCN), o Aos fatos que é uma agência independente, o Truco que é da Agência Pública e o Fato ou Fake que é oferecido pelo grupo Globo.
Porém essas agências não resolvem o problema, como apontado por especialistas em comunicação, o fact-checking muitas vezes atua "correndo atrás do prejuízo", pois a checagem é publicada após a desinformação já ter circulado e alcançado um grande público. Por isso, o trabalho das agências costuma ser visto como uma das várias camadas necessárias para o combate à desinformação, ao lado da educação midiática e de políticas de plataformas digitais.
Por isso é importante que o cidadão esteja sempre verificando se um fato é verdade ou não. Os avanços tecnológicos das IA’s vem para auxiliar as pessoas, porém, também existem pessoas mal intencionadas que vão utilizar desses avanços para gerar desinformação. Sendo assim é muito importante que essas agências existam, mesmo que elas não sejam a solução definitiva, elas auxiliam na verificação dos conteúdos, dessa forma, minimizando o seu impacto.






























A educação como a base de tudo
Com o avanço das ferramentas de produção de conteúdo com inteligência artificial, as produções vêm ficando cada vez mais realistas, dessa forma vem impactando um grande número de pessoas. O impacto das IA’s no contexto eleitoral de 2026 é um desafio institucional sem precedentes, pois a tecnologia altera não apenas a escala da desinformação, mas a sua própria natureza, tornando-a mais difícil de detectar e mais eficaz em termos de manipulação emocional.
Muitas pessoas não conseguem distinguir o que é real do que é falso. A maioria das medidas contra a desinformação são corretivas, por isso, até que alguma medida seja tomada contra esse conteúdo, o estrago já está feito e muitas pessoas têm sua opinião moldada por conteúdos falsos. Por isso, vem se tornando cada vez mais importante promover a alfabetização e o letramento digital.
Basicamente o letramento digital é o ensino de competências que são necessárias para a utilização crítica, ética e cidadã das redes. Ser letrado digitalmente é ser um agente ativo e consciente no espaço digital, e não apenas um usuário passivo que consome o que o algoritmo entrega.
Neste ano, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), tornou obrigatório em todo o currículo da educação básica brasileira medidas de letramento digital, dessa forma, desenvolvendo o ensino das competências necessárias para o bom uso das redes, já na base do ensino Brasileiro.
Competências que o BNCC pretende desenvolver com a introdução do letramento digital no currículo do ensino básico. Fonte: infográfico autoral produzido na plataforma Infography. Dados disponiveis no: https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/598062/2/BNCC%20e%20letramento%20digital.pdf

Com a introdução do letramento digital na BNCC, vai alterar a lógica de enfrentamento da desinformação, auxiliando na formação de um sujeito previamente crítico. Uma das práticas que podem ser desenvolvidas, é a triangulação de fontes, onde o aluno será ensinado a não confiar em uma única fonte. Se uma notícia circula apenas em um grupo de WhatsApp ou em um site desconhecido, ele aprende a verificar se grandes portais ou agências de checagem confirmam o dado. Outra competência que pode ser desenvolvida é a análise da intencionalidade, onde o aluno começa a entender que todo conteúdo tem um interesse por trás, seja ele comercial, político ou ideológico. Ao perguntar "quem produziu isso?" e "a quem esse conteúdo beneficia?", o aluno consegue identificar o viés da desinformação.
Um dos pontos fortes do Complemento da Computação é ensinar como a internet funciona. Quando o aluno entende a lógica dos algoritmos de recomendação, ele compreende por que conteúdos sensacionalistas ou polarizados aparecem primeiro para ele. Ao entender que o algoritmo prioriza o engajamento emocional (medo, raiva, indignação), o aluno desenvolve uma barreira psicológica: ele aprende a desconfiar de conteúdos que provocam reações emocionais intensas, pois sabe que essa é a estratégia típica de fake news.
Todas essas medidas, sejam elas preventivas ou corretivas, são muito importantes para combater a desinformação. Porém, é necessário entender que sozinhas o impacto delas não vai ser significativo, por isso elas tem que funcionar em conjunto. A partir do momento em que o Governo começa a implementar políticas de regulamentação e de educação midiática, a sociedade brasileira terá um grande avanço nessa área. Pois como a Jhéssica disse na nossa entrevista.
“Nenhuma legislação será suficiente sem educação digital, a melhor defesa a favor da democracia é um eleitor bem informado”
Porém para mitigar o problema vai demandar tempo, por isso precisamos continuar combatendo a desinformação e sempre manter o compromisso ético com o nosso trabalho, para que assim os resultados se tornem verdadeiramente significativos.
A solução ideal para a desinformação com o uso de IAs depende de uma combinação de fatores, e muitos desses estão longe do poder de alcance da população. Porém, o letramento digital é uma das maneiras de se precaver contra as desinformações. Sendo assim, a reportagem produziu um quiz interativo para medir seu nível de discernimento do que o é real e do que é artificial, responda e compartilhe com amigos para se protegerem .

Quem verifica a verdade?
Em 2023 a Lupa soltou a série “Lupa nos golpistas”, que foi compartilhada com o poder público e ajudou na identificação e indiciamento de alguns responsáveis pelo 8 de janeiro.

A inteligência artificial vem evoluindo muito rápido, se compararmos um vídeo gerado por IA de hoje com um de 2022, ano da última eleição, é possível perceber o abismo de qualidade entre os dois, está cada vez mais difícil de identificar essas produções. Um vídeo viralizou recentemente, onde o jogador noruêgues Haaland se assusta com seu reflexo em um espelho. O vídeo foi muito compartilhado por muitas pessoas acreditando que o vídeo era real, porém ele foi feito com deepfake.
Entrevistamos a jornalista Giovana Frioli, repórter do Estadão verifica, onde ela comenta sobre a evolução das plataformas de IA e da dificuldade em identificar imagens geradas por esse tipo de plataforma: "cada vez que IA fica mais difícil de ser identificada pelas pessoas, mais conteúdos gerados por IA aparecem, começou principalmente com fotos, por ser mais barato de as pessoas fazerem com as ferramentas de IA, agora a gente vê bastante vídeos, alguns mais fáceis de serem identificados e outros mais difíceis".
A repórter comenta sobre os avanços das ferramentas de IA’s na criação de vídeos e como os conteúdos vêm ficando cada vez mais realistas. "Antes a gente conseguia perceber muitas inconsistências nesses conteúdos de inteligência artificial, por exemplo as mãos que estão distorcidas, o rosto e a boca que não estão sincronizadas com o áudio, mas cada vez mais está ficando mais difícil de identificar esses conteúdos de IA".
Além disso, Giovana deu algumas dicas de como podemos identificar vídeos gerados por IA de forma simples "No verifica a gente já produziu alguns guias, mas cada vez está ficando mais difícil. No dia a dia, não tem nenhuma técnica específica onde você pode cravar que o conteúdo é feito por IA, mas a gente segue algumas evidências, por exemplo, em uma foto pode ser que tenha alguma inconsistência em algum objeto no fundo da imagem, algumas IA’s têm dificuldades em gerar palavras que estão muito distantes, pequenas falhas nos cenários de fundo".
Além disso, ela explica como os profissionais de checagem conseguem verificar se um vídeo é real ou não, com ferramentas mais sofisticadas. “A gente também utiliza algumas ferramentas que são disponibilizadas pelas próprias plataformas de inteligência artificial, por exemplo o SynthID do GOOGLE, se colocar alguma imagem no Gemini, você pode perguntar, utilizando essa ferramenta, se essa imagem foi gerada com as ferramentas do GOOGLE. A OpenAI também têm uma ferramenta assim, que identifica se a imagem foi gerada com sua ferramenta de IA, também têm alguns sites que fazem análise de conteúdo com deepfake, um deles se chame InVID, é uma ferramenta que os checadores usam bastante, por ter uma confiabilidade maior, e também utilizamos o HIVE moderation, que também faz essa análise, porém nada vai ser conclusivo, a gente usa um conjunto de análises para conseguir identificar se aquele conteúdo é produzido por IA ou não, claro com o auxílio das fontes."
Porém essas agências não resolvem o problema, como apontado por especialistas em comunicação, o fact-checking muitas vezes atua "correndo atrás do prejuízo", pois a checagem é publicada após a desinformação já ter circulado e alcançado um grande público. Por isso, o trabalho das agências costuma ser visto como uma das várias camadas necessárias para o combate à desinformação, ao lado da educação midiática e de políticas de plataformas digitais.
Por isso é importante que o cidadão esteja sempre verificando se um fato é verdade ou não. Os avanços tecnológicos das IA’s vem para auxiliar as pessoas, porém, também existem pessoas mal intencionadas que vão utilizar desses avanços para gerar desinformação. Sendo assim é muito importante que essas agências existam, mesmo que elas não sejam a solução definitiva, elas auxiliam na verificação dos conteúdos, dessa forma, minimizando o seu impacto.




